Salar do Uyuni, o gigantesco deserto de sal da Bolívia

Meu irmão Danilo de Souza inaugura a participação dos colaboradores do Viajei e Gostei. Ele conta em detalhes a viagem que fez a um dos pontos mais incríveis da América do Sul: o Salar do Uyuni, o famoso deserto de sal da Bolívia. Confira!

O passeio ao Salar do Uyuni fez parte de uma viagem que fiz ao lado de dois amigos pela América do Sul, na qual passamos por Chile, Bolívia e Peru. Este deserto de sal, o maior do mundo, tem mais de 10 mil km² e fica próximo da borda da Cordilheira dos Andes, nos Altiplanos bolivianos – a mais de 4 mil metros de altitude.

Os dois principais pontos de saída para o Salar são as cidades de San Pedro de Atacama, no Chile, e Uyuni, na Bolívia. Fechamos o nosso passeio na cidade chilena, que também serviu de base para visitarmos outros lugares como Salar do Atacama, Laguna Cejar e Gêiseres del Tatio, entre outros. Na hora de fechar o passeio, o viajante opta como ponto final o retorno a San Pedro de Atacama (um dia a mais de viagem) ou terminar o trajeto em Uyuni. No nosso caso, como seguiríamos viagem pela Bolívia, escolhemos a segunda opção. San Pedro de Atacama é uma cidade turística e conta com várias agências que realizam o passeio para o Salar. Elas são bem simples, mas realmente realizam o passeio e te dão toda a estrutura. Você terá que pagar em dólares ou pesos chilenos, mas é possível trocar seus reais em uma casa de câmbio por lá. O valor dos passeios varia entre US$ 60 e US$ 200, dependendo do número de dias. As agências recomendam que cada viajante leve 5 litros de água para o passeio. E eles são realmente necessários. Você não terá como comprar depois e vai precisar beber muito para evitar desidratação. Também é bom comprar coisas para comer durante a viagem. Outra dica importante é fazer suas necessidades antes de partir para o passeio. Isto porque só haverá um banheiro após quatro horas de viagem. Se der vontade, terá que apelar para o que eles chamam de “pachamama”. Ou seja, fazer na natureza. Leve um rolo de papel higiênico.

A saída para o passeio é bem cedo. Não estranhe de você sair 5h da manhã. Pegamos uma van e fomos até a fronteira do Chile com a Bolívia. Ali você passa por todos os trâmites alfandegários, tem que devolver o papel de saída com a declaração de bagagem e mostrar a mesma documentação que utilizou para entrar no Chile (passaporte ou RG). Após passar pela aduana chilena, a van entra na Bolívia e te leva até a alfândega de lá. Novamente precisamos apresentar toda a documentação, em um posto localizado no meio do nada.

Passados os trâmites burocráticos, fomos até o ponto de saída para o passeio propriamente dito. Os viajantes são divididos em veículos 4x4 que serão seu meio de transporte até o fim do passeio, que pode durar de um a quatro dias dependendo do que foi acertado com a agência. Antes do embarque é servido o café da manhã, preparado pelo próprio motorista.

Cada veículo comporta de cinco e seis pessoas. Se não quiser ir com algum companheiro indesejado, procure fazer amizade com os outros viajantes já na van. No nosso caso ganhamos a companhia de duas garotas, uma israelense e uma alemã, que nos acompanharam durante todo o passeio.

Embarcamos nos 4x4 e, após aproximadamente uns 30 minutos, chegamos à entrada da Reserva Nacional Eduardo Avaroa. Lá você paga 150 bolivianos (moeda do país) e adquire o ingresso que deve ser mantido até o final. Você terá que apresenta-lo diversas vezes durante o passeio.

Dentro do parque cada carro faz seu próprio trajeto. Por isso vale a pena fazer amizade com o motorista para que ele te leve aos lugares mais legais e fique o tempo necessário para curtir cada atração. Nosso motorista se chamava Pepe e era uma figuraça.

Rodamos pelos Altiplanos bolivianos até a primeira parada, que ocorreu nos banhos termais (Termas de Polques). Se quiser entrar na água quente, paga 10 bolivianos e tem direito a usar o vestiário. A piscina é pequena, mas vale a pena entrar. Não há banheiro, sendo possível apenas trocar de roupa.

Ficamos cerca de 1h30 por lá antes de voltarmos ao carro e seguirmos para outras atrações. Pepe nos levou a Laguna Blanca, Deserto de Dalí, Gêiser Sol da Mañana e Laguna Verde, aos pés do vulcão Licancabur. Você pode descer ou não do carro, mas o mais importante é se proteger do vento. Ele dá uma sensação térmica de ainda mais frio.

A parada para o almoço ocorreu no meio da tarde, por volta das 16h, já no local de hospedagem onde passaríamos a noite. A comida é simples, mas bem saborosa, com direito a sopa, frango e batatas. Tinha refrigerante e nos serviram até vinho. Antes de encerrarmos o dia ainda fomos visitar Laguna Colorada, que ficava a 10 minutos do ponto de hospedagem. O retorno ocorre no início da noite, quando é servido o jantar. Localizadas “no meio do nada”, as cabanas onde passamos a noite são simples, só tem energia elétrica até 21h e não contam com água quente. É possível, porém, recarregar as máquinas fotográficas e celulares.

Acordamos cedo no segundo dia, que foi bem parecido com o primeiro. Visitamos as Lagunas Altiplanicas (Honda, Chiarcota, Hedionda e Cañapas) e o Deserto de Siloli, com suas curiosas formações rochosas.

Almoçamos uma refeição preparada no carro por nosso motorista e partimos para Salar de Chiguana, onde encerramos nosso dia na cidade de San Juan. É curioso ver que pessoas moram no meio do sal, com direito a escolas, mercado e ao hotel onde ficamos hospedados.

O terceiro e último dia de passeio foi quando finalmente partimos para o Salar do Uyuni. Acordamos bem cedo para assistirmos ao nascer do sol no meio do salar e seguimos para Isla El Pescado, uma ilha de cactos onde Pepe nos serviu o café da manhã. É necessário pagar uma taxa de 30 bolivianos para entrar na ilha, mas vale a pena o passeio.

Após 1h na ilha fomos para a um ponto do Salar do Uyuni onde não havia nada ao redor. Éramos apenas nós e um imenso deserto de sal por todos os lados. Foi um dos momentos mais bacanas para tirar fotos.

O último ponto de parada foi um cemitério de trens já perto da cidade de Uyuni. No passado o local foi uma importante rota de minérios da América do Sul, com ligação com Oruro. A ferrovia, porém, foi desativada e o que restou foram vagões e locomotivas abandonadas.

Dicas importantes

- Quando ir: O ideal é evitar a época de chuvas, entre dezembro e fevereiro. Neste período boa parte do Salar fica alagada e em muitos casos nem os veículos 4x4 conseguem chegar. Entre junho e novembro praticamente não chove, mas durante o inverno (junho e julho) as temperaturas ficam extremamente baixas e fazem os visitantes sofrerem nas acomodações sem aquecimento durante a noite. Fomos em março, o que se mostrou uma boa opção. - Atenção ao motorista: Vale ficar esperto com quem te levará para “o meio do nada”. Lemos relatos de viajantes que foram abandonados durante o trajeto ou que sofreram com motoristas alcoolizados. Nosso caso, só temos elogios ao Pepe. - Altitude: Para quem não está acostumado, a tendência é sofrer um pouco durante o passeio a mais de 4 mil metros do nível do mar. Ingerir o chá de coca ou mascar folhas da erva ajuda a combater o mal estar provocado pela mudança brusca.

- Proteção contra o sol e o frio: Podem parecer itens contraditórios, mas protetor solar de fator elevado, óculos escuros e roupas de inverno pesado são indispensáveis. Prepare-se para enfrentar muito frio, apesar da radiação intensa do sol. Leve também roupa de banho para aproveitar algumas paradas. - Bateria extra para máquina: Se você é tão fissurado por fotos como eu, vai querer registrar cada etapa do passeio. Não se esqueça que são poucas paradas e com energia elétrica limitada. Logo, se não quiser ficar de mãos abanando justamente na hora de registrar os trechos mais legais, vale a pena se precaver.

- Água e papel higiênico: Não deixe de comprar estes itens indispensáveis antes do embarque para o passeio. Você provavelmente vai precisar deles.

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